Para a realização de diferentes tipos de cirurgia cardíaca, a circulação extracorpórea (CEC) ainda é um procedimento muito utilizado cuja finalidade é propiciar um campo cirúrgico limpo, preservar as características funcionais do coração e oferecer segurança à equipe cirúrgica.
Por outro lado, a CEC produz uma resposta inflamatória sistêmica com liberação de substâncias que prejudicam a coagulação e a resposta imune; aumentam o tônus venoso; produzem grande liberação de catecolaminas, alterações no fluído sanguíneo e estado eletrolítico; disfunção, lesão ou necrose celular do miocárdio e uma disfunção pulmonar branda.
Pacientes com maior tempo de CEC apresentaram mais déficits neurológicos, como sonolência excessiva, alteração da função cognitiva e intelectual quando comparados àqueles pacientes que permaneceram menor tempo em CEC (10). Ressalta-se que a incidência de disfunção cognitiva tem sido maior nos pacientes após cirurgias cardíacas do que entre os submetidos a outros procedimentos cirúrgicos. Essa incidência é ainda maior entre os pacientes mais idosos. A participação de apenas 83 (77,7%) pacientes do total de 108 potenciais participantes, uma vez que os demais não foram submetidos à circulação extracorpórea.
Os pacientes que foram operados sem o uso de CEC, identificados apenas no pós-operatório imediato, foram excluídos do estudo. Os dados apresentados foram coletados no período pós-operatório imediato, considerado como as primeiras 24 horas após a cirurgia. Para responder ao objetivo do estudo, os pacientes foram divididos em dois grupos de acordo com o tempo de CEC: um grupo com tempo de CEC menor ou igual a 85 minutos (44 pacientes) e um grupo com tempo de CEC maior que 85 minutos (39 pacientes). Esse valor para divisão dos grupos foi adotado por ser o valor da mediana do tempo de duração da CEC nos procedimentos cirúrgicos coletados, uma vez que não há referência de tempo da CEC a ser utilizado para esses fins em estudos anteriores. A participação de
apenas 83 (77,7%) pacientes do total de 108 potenciais participantes, uma vez que os demais não foram submetidos à circulação extracorpórea. Os dados apresentados foram coletados no período pós-operatório imediato, considerado como as primeiras 24 horas após a cirurgia.
RESULTADOS
A caracterização sociodemográfica e clínica dos 83 participantes, da pesquisa, de acordo com o tempo de circulação extracorpórea a que foram submetidos durante a cirurgia cardíaca encontra-se na Tabela 1.
TABELA 1.
No grupo com menor tempo de CEC, observou-se maior frequência de pacientes do sexo feminino, com igual proporção entre pacientes com menos de 60 anos e com mais idade e uma prevalência acima de 50% para hipertensão arterial e coronariopatias. No segundo grupo (acima de 85 minutos de CEC), houve discreto aumento na presença de pacientes do sexo masculino, com menos de 60 anos e as doenças mais prevalentes foram hipertensão e valvulopatias cardíacas (Tabela 1). No período pós-operatório imediato, a diferença na frequência das complicações foi pequena, entre os dois grupos. No grupo com tempo de CEC menor que 85 minutos, as complicações que foram constatadas, em pelo menos 50% dos pacientes foram dor, oligúria, hiperglicemia, hipertensão ou hipotensão arterial. No grupo com tempo maior de CEC, foram observadas as mesmas complicações, exceto a hiperglicemia. As complicações menos frequentes (apresentadas por menos da metade de ambos os grupos) podem ser observadas nos dados da Tabela 2.
TABELA 2.
Frequência das complicações no pós-operatório imediato para os 83 pacientes de acordo com o tempo de circulação extracorpórea (CEC).
Com relação às complicações, a dor foi a mais frequente em ambos os grupos analisados o que pode ser explicado pela extensão do trauma tecidual a que foi submetido um paciente durante uma cirurgia cardíaca. A dor aguda, comum após cirurgias cardíacas, está relacionada a outras complicações, sobretudo de natureza respiratória(13,15) e também com o desencadeamento de arritmias. . Ela costuma ser maior no primeiro e segundo dias de pós-operatório. Pacientes que apresentaram alterações na pressão arterial foram 50% ou mais, nos dois grupos. Essas alterações
podem estar relacionadas à patologia do paciente, entretanto nesse estudo não foi feita a relação entre as patologias de base e as complicações encontradas no período pós-operatório imediato. Dos participantes do estudo, 40,4% apresentaram febre no período pós-operatório imediato. O grupo com tempo de CEC até 85 minutos apresentou uma porcentagem maior para essa complicação (25%).
Infarto agudo do miocárdio foi identificado em 5,1% dos pacientes no pós-operatório, no grupo com maior tempo de CEC. Esses resultados estão acima dos apresentados por outros autores, que verificaram uma taxa de infarto agudo do miocárdio de 1,25% em pacientes que faleceram precocemente ou a longo prazo após cirurgia de valva cardíaca, entretanto não fizeram relação com o tempo de CEC.
CONCLUSÃO
A maioria das complicações ocorridas no POI apresentou frequência semelhante para os pacientes, independente do tempo de CEC. As complicações mais comuns apresentadas pelos participantes foram dor, oligúria e hiperglicemia. A frequencia de complicações não foi diferente nos dois grupos e, para algumas complicações, a porcentagem foi maior em pacientes com tempo de CEC menor.
Muitas das complicações observadas podem estar relacionadas aos fatores de risco da história do paciente, mas esses dados não foram relacionados em nosso estudo sendo esta uma limitação do presente trabalho.
Fonte: http://www.scielo.br/pdf/ape/v25n3/v25n3a04
Fonte: http://www.scielo.br/pdf/ape/v25n3/v25n3a04


Nenhum comentário:
Postar um comentário